quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O PÔR-DO-SOL E A RÚCULA

Fui à feira hoje... havia uma semana que estava neurótica sem folhas em casa, mais exatamente rúcula e alface... já estava pensando seriamente em lavar as suculentas e temperar para as refeições... hahahahaha
É que os folhosos "sumiram" dos mercados... e até na feira tá difícil de encontrar... consegui comprar o último pé de alface quase saí no tapa, mas comprei! numa das bancas e quase me desesperei procurando rúcula amo rúcula... mas encontrei escondidinha numa outra banca.
Daí que isso tudo me lembrou um texto maravilhoso da Magali Moraes, chamado "Rúcula", que eu li dia desses. Ah, você ainda não sabe quem é? Então passa lá no blog Eu leio Magali Moraes e conheça melhor a história dela.
Aproveita e passa também no blog da Fernanda Reali e participa do sorteio do livro recém-lançado e autografado da Magali - O Diário de uma Demitida.
Bem... voltando ao texto "Rúcula"... leiam, é muito gostoso literalmente... rs

Obs.: Vocês devem estar se perguntando: "Tá, mas o que a foto do pôr-do-sol tem a ver com o texto sobre rúcula?" E eu respondo: "Tudo, uai." Já pararam pra pensar na beleza do sol se pondo? Raramente, as pessoas param pra apreciar essa beleza natural que acontece todos os dias, e é tão maravilhosa, né mesmo... Assim como também, raramente, as pessoas param pra apreciar a beleza de se saborear uma rúcula... uai, sô... simples assim!


A RÚCULA (Magali Moraes)
-A rúcula mudou a minha vida.
-Não simplifique as coisas, Lisa.
-Como eu consegui viver 37 anos sem rúcula?
-Nós temos questões mais sérias para tratar. Como essa sua mania de fugir do assunto.
-Estou falando sério. A rúcula parece amarga no início. Depois a gente vai mastigando e se apaixona.
-Na última vez, nós falávamos da sua família. Mais especificamente, da relação dominadora com seu pai.
-Culpa da minha mãe. Se ela tivesse colocado rúcula na mesa, eu não perderia tempo brigando com ele.
-Pela última vez, Lisa. Daqui a pouco o horário termina.
-E pensar que foi uma pizza com tomate seco e rúcula!
-Quero falar dos seus medos reais, não de salada.
-Mas eu enfrentei o medo do desconhecido: pedi pizza quatro queijos, como sempre. Quando abri a caixa e vi aquele matagal verde, fiquei furiosa. Aí a fome apertou e eu encarei a rúcula.
-Já entendi. Você está se escondendo atrás de metáforas. O queijo representa segurança, uma espécie de conexão láctea com sua mãe. Os quatro queijos, o amor em excesso. O matagal verde...
-Rúcula.
-A rúcula representa o paladar refém. Em outras palavras, a negação do afeto.
-Para que complicar tudo? A rúcula é uma salada. A combinação perfeita com o tomate, o contraponto da alface, o equilíbrio da salada mista. Pronto.
-Não é só uma salada. Você está querendo me dizer algo, Lisa.
-Só se for que eu estou com fome.
-Uma vez atendi uma paciente que só expressava seus sentimentos dando receita de bolo.
-Maluquice.
-Demorei meses para fazer a ligação da farinha de trigo peneirada com a morte trágica da sua bisavó.
-Eu, hein.
-Você me lembra ela. Como você prepara a rúcula, Lisa? Arranca as folhas do talo com as mãos ou com a faca?
-Acho que tá na hora de eu ir.
-COM AS MÃOS OU COM A FACA, ELIZABETE NUNES?
-Com as mãos. Nossa, nunca vi o senhor tão alterado.
-Eu sabia! As mãos arrancam as folhas porque o inconsciente não pode arrancar a mágoa! Seu pai come rúcula, Lisa?
-Agora essa!
-Como é a relação do seu pai com o agrião e o radiche?
-Melhor fazer terapia com empacotador de supermercado.
-Pois eu digo: você experimentou rúcula na tentativa de resgatar as pazes com seu pai.
-Acabo de me dar alta. Tem gente pior nessa sala.
-Lisa, volte aqui! Preciso saber como você tempera a rúcula!
-Vou deixar o cheque na recepção.
-Fuja do azeite de oliva, Lisa! O aceto balsâmico é a simbiose familiar!!
Depois daquele dia, Lisa passou a comer rúcula sem temperar. Melhor deixar passar um tempo. Ela ainda podia ver a boca daquele doido espumando como um vinagre vencido.

6 comentários:

Fernanda Reali postou o comentário de número:

Hehe, mais uma louca para o grupo: não vivo sem rúcula. Adoooro! Ótimo texto.
beijoooo

Chris Ferreira postou o comentário de número:

Oi Eliane,
adorei. Também adoro rúcula.
Por aqui não as folhas não sumiram não.
beijos
Chris
http://inventandocomamamae.blogspot.com/

Mamãe do Matheus postou o comentário de número:

Oi Eliane!
Passei aqui para dizer que ontem depois de aplicar a pomadinha poderosa que o Dr.mandou usar no olhinho do pequeno hoje o olho dele está quase totalmente curado!...rs*
EU também adoro rucula..mas faz um tempinho que não a como.
Legal o texto da magali...depois quero ir lá conhecer o cantinho dela.
Amada,tenha um final de semana abençoado!
P.S:DOmingo é meu aniversário...rs*
Beijos...
Danny e Matheus
www.mamysdematheus.blogspot.com

euleiomagalimoraes postou o comentário de número:

Ahahahahah!
Eu não lembrava desse texto. É divertido reler depois de tempos!
Foi uma descoberta poderosa a rúcula. Hoje não vivo sem.
beijos
(um amor o teu blog!)
Magali

Mãe Mochileira,filho malinha.. postou o comentário de número:

Amo rucula,tanto que tenho varias plantadas em casa,uma delicia!!
;-)
e amo por do sol..tanto que fiz um post exclusivo sobre eles la no blog!!!
Nem preciso falar aqui q amei esse seu post de hj,né?rsrs..
bjs,otimo fim de semana!!!
;-)

walfiori postou o comentário de número:

olha, ótimo texto.também adororúcula...epor aqui ela anda bem oferecida..rsrsrs fartura... bjs